CONHECE-TE A TI MESMO

REFLEXÕES SOBRE A NOSSA IDENTIDADE ESPIRITUAL

Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. 17Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.” Romanos 1:16 e 17

Pensar, refletir e avaliar é uma arte que está se perdendo. Vivemos na era do fast-food e dos combos, tudo visando à rapidez e o consumo.

Aprendemos na história da filosofia antiga, que um homem chamado Sócrates saía pelas ruas, colocando em prática a frase escrita no templo de delfos: “Conhece-te a ti mesmo”.

Sócrates fazia perguntas ligadas a moral, como: “O que é a coragem?”.

Alguns usavam estórias para responder às perguntas. Sócrates não queria estórias sobre coragem e sim ouvir o que o outro pensava sobre o significado da palavra coragem. A resposta deveria ser fruto de uma reflexão: o que é isto – coragem? (ti estin).

Alguns respondiam pensando que sabiam, mas na verdade o que conheciam, não se baseava em uma convicção interior, fruto de reflexão. Eram meros repetidores de estórias.

Uma outra declaração de Sócrates muito conhecida: “Só sei que nada sei”. Essa frase denuncia, que em algo ele era melhor que os seus interlocutores: ele sabia que não sabia.

Porque, na muita sabedoria, há muito enfado; e o que aumenta em ciência aumenta em trabalho”. Eclesiastes 1:18

Quero extrair uma lição dessa jornada socrática: o que declaramos saber é fruto de convicções, de convencimento interior do Espírito Santo, ou somos meros repetidores de estórias?

Quando achamos que sabemos, nos acomodamos.

Quando não sabemos, nos lançamos na busca e na investigação.

Procuramos averiguar a origem das coisas, ou usamos mitos e estórias para sustentar nossas fracas verdades?

E falando sobre o Evangelho, o que cremos e vemos tem coerência com Palavra de Deus ou se baseia em ideias distorcidas ?

Se olharmos com atenção, veremos o Evangelho sendo reinventado a cada semana, com novos contornos e nuances.

Justifico o uso do termo evangelho em diversos arranjos e seguido de um adjetivo formando neologismos, baseado no que disse Paulo:

Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema”. Gálatas 1:8 – O grifo é meu

Os novos evangelhos:

Um evangelho cosmético, que trata de superficialidades, que mascara imperfeições. Que impressiona com seus contornos e cores, porém, só age na superfície.

Algo semelhante aconteceu na época de Jeremias e não é de admirar que ele tenha falado sobre isso inúmeras vezes:

Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz”. Jeremias 6:14 e 8:11

O profeta Jeremias não era muito admirado pelos seus conterrâneos, pois denunciava o arranjo religioso em que os sacerdotes e o povo viviam. O relacionamento religioso era um arranjo, uma cumplicidade.

Os Sacerdotes falavam o que o povo queria ouvir: uma mensagem que não tratava da realidade.

O povo por sua vez, se contentava com uma palavra que era conveniente aos seus anseios.

Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles; e é o que deseja o meu povo. Porém que fareis quando estas coisas chegarem ao seu fim?”. Jeremias 5:30

Um evangelho hedonista, que coloca acima de tudo o prazer e  a satisfação pessoal.

O termo hedonismo vem do grego hedoné, e significa doçura. Palavra também traduzida como concupiscência. 

O hedonismo coloca o prazer como um fim em si mesmo.

Nesse evangelho, não há lugar para dor, perda ou renúncia. Os seguidores desse evangelho, mal falam de céu, pois suas expectativas se resumem à terra.

Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.”

 1 Coríntios 15:19

Um evangelho alucinógeno, que gera sensações, com uma dose exagerada de emocionalismo. Seu efeito é passageiro. Nos dias após o culto, já não faz nenhum efeito. Não há mudança na família, no caráter, na moral. Sua ênfase são as sensações, frases de efeito e histerismo. Porém, tudo oco. Diferente da manifestação do Espírito Santo, que enche as nossas vidas e o ambiente:

e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.” Atos 2:2-4

Quando o Espírito Santo age, há vida e fogo.

Mas alguns andam inchados, como se eu não houvesse de ir ter convosco. Mas, em breve, irei ter convosco, se o Senhor quiser, e então conhecerei, não as palavras dos que andam inchados, mas a virtude. Porque o Reino de Deus não consiste em palavras, mas em virtude”. 1 Coríntios 4:18-20

Um evangelho de castas, que separa a igreja em: Eklesia Docens e Discens, ou seja, uma igreja docente e uma igreja discente, clero e leigos. Na idade média, isso era muito evidente, até porque as missas e documentos oficiais da igreja eram em latim, língua que gente comum não entendia. Muitos hoje, têm transformado as funções em frações.  O que deveria unir e servir, tem sido usado para separar e para desservir.

Poderia elencar outros tipos de evangelho, porém, quero falar um pouco do Evangelho de Jesus Cristo.

Não há como dissociar o Evangelho da Igreja.

Considero interessante, a definição de Leonardo Boff sobre a Igreja:

A Igreja é aquela parte do mundo que, na força do Espírito, acolheu o Reino de forma explícita na pessoa de Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado em nossa opressão, guarda a permanente memória e a consciência do Reino, celebra sua presença no mundo e em si mesma e detém a gramática de seu anúncio, a serviço do mundo”.

A Igreja é formada, por àqueles que acolheram o Reino de Deus, receberam a Cristo em seus corações e são habitados pelo Espírito Santo.

Em seus corações habita: o amor, a justiça, a verdade…e a eternidade.

Não seguem o espírito do mundo. São contextualizados, mas desatualizados no que diz respeito a malícia e ao engano.

 Enxergam a realidade das coisas que os cercam e ao mesmo tempo rejeitam as que são más.

Não se amoldam aos conceitos desta geração.

São transcendentes, i.e. aquilo que transcende a nossa própria consciência.

Têm a mente de Cristo.

Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo”. 1 Co 2:16

A mensagem do Evangelho, é focada na reconciliação:

Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. 1 Coríntios 5:18-21

A mensagem do Evangelho é inclusiva:

Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho”. Mateus 11:5

A mensagem do Evangelho proclama o Reino de Deus:

E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo”.Mateus 4:23

O Evangelho manifesta a salvação mediante o poder de Deus:

Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego”. Romanos 1:16

Quero terminar com um texto bíblico, que é uma instrução e ao mesmo tempo uma sentença:

Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema.” Gálatas 1:8

Qual evangelho você tem seguido?

Qual é a sua identidade?

Graça e paz,

Que o Senhor te abençoe muitíssimo!

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Pastor do Projeto Vida Nova do Méier – RJ.

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